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Negócios que crescem na Crise

Os portugueses estão a recorrer a soluções mais económicas para enfrentar as dificuldades financeiras. Vão a cadeias de comida rápida em detrimento dos restaurantes convencionais ou optam por fazer refeições em casa, beneficiando os supermercados. Os transportes públicos são a opção, bem como fazer férias em casas particulares, em vez de hotéis. Os seguros de crédito, o recurso ao aconselhamento financeiro e a penhora de ouro e jóias são os caminhos para reestruturar as dívidas ou conseguir um encaixe suplementar. Para os que acreditam na sorte, o Euro-milhões é a solução para o desejado dinheiro fácil e rápido. O reflexo da crise nestes sectores é positivo. Crise, qual crise?
Casa particulares
Sectores que ganham com a crise
A McDonald's (McD) é um bom barómetro do que se passa no sector da restauração. O gigante norte-americano está quase a atingir a maioridade em Portugal (faz 18 anos, em Maio) e o negócio soma e segue. O director-geral, Mário Barbosa, faz questão de salientar que 2008 "foi o terceiro ano com um crescimento de dois dígitos". Ou seja, o bom momento da marca não se deve apenas à crise que leva os portugueses a optar por refeições mais económicas. Mas ajuda, admite o responsável. De tal forma que a McD Portugal vai fazer, em 2009, um dos seus maiores investimentos na abertura de novos restaurantes e na remodelação das lojas existentes.
Fonte da Ibersol, que explora em Portugal a cadeia Burger King, confirma que "há uma tendência de procura por refeições mais baratas". A empresa do Porto adianta que as vendas da Burger King estão a crescer mais do que, por exemplo, as da Pizza Hut (marca que também faz parte do seu portefólio) . É que uma refeição média na Pizza Hut custa €12 enquanto na Burger King se come por €4,5. "É tudo uma questão de preço", foca a Ibersol.
A.S.S.

Seguros de crédito
Sectores que ganham com a crise
Em 2008, o segmento Não-Vida da actividade seguradora registou uma quebra de 2%. Mas, houve um ramo que desalinhou da queda generalizada. Nos seguros de crédito, o crescimento dos prémios foi de 14%, atingindo os ¤73 milhões. Mas, esta medalha tem o seu reverso. A sinistralidade aumenta em tempos de crise. As indemnizações pagas superaram ligeiramente os prémios recebidos. O balanço final pode revelar-se deficitário para as seguradoras.
Quem lucra sempre são os mediadores que não correm riscos. As anunciadas linhas de crédito garantidas pelo Estado (ainda por operacionalizar) terão o duplo efeito de incentivar este tipo de seguro e atenuar o risco das seguradoras. Nos últimos anos, a aposta das companhias foi na atracção de mais empresas para o sistema. Foi assim que a Coface cresceu, em 2008, 45%. Esse efeito, aliado ao aumento dos preços (as apólices vão agravar-se pelo menos 30%), impulsionará o volume de prémios. Todavia, a Cosec não prevê aumentar as receitas e sofrerá com a quebra do negócio dos segurados. Mais de 3700 empresas recorrem aos seguros de crédito, segurando o risco de incumprimento de 250 mil clientes.
A.F.

Aconselhamento financeiro
Sectores que ganham com a crise
A prova de que o negócio de consultoria financeira promete ser promissor em tempos de dificuldades é a recente aposta da Deloitte nesta área. Foi criado um departamento de aconselhamento - debt advisory -, liderado por José-Gabriel Chimeno, que oferece "um serviço livre de conflitos de interesses, que as instituições financeiras não podem prestar". A Deloitte propõe-se ajudar a "negociar uma reestruturação do passivo financeiro, bem como a obtenção de linhas de apoio de tesouraria adicionais".
Outra actividade que não terá mãos a medir é a cobrança de dívidas. No final de 2007, a Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Recuperação de Créditos tinha 19 associados (entre os quais a Coface e a Intrum Justitia). Neste 1º trimestre o número deverá subir aos 30, adianta o director executivo da APERC, António Gaspar. "A actividade em 2008, quer em termos de montantes quer em termos de processos, deverá ter crescido 12 a 15% em 2008". No entanto, António Gaspar faz notar que a crise "está a agravar as dificuldades na cobrança extrajudicial e amigável de dívidas".
A.S.S.

Casas de penhores
Sectores que ganham com a crise
Mal a crise começou a mostrar as garras, logo surgiram notícias a dar conta do aumento da procura por casas de penhores. Nas seis lojas da Companhia União de Crédito Popular, no Porto, "todos os dias são abertas fichas novas", afiança o presidente Manuel Aleixo Ferreira, que toda a vida trabalhou nesta área - tem 82 anos e começou menino, com apenas 12.
Aponta que o facto dos bancos estarem a restringir os empréstimos está a levar mais pessoas às suas lojas. Só aceita ouro e jóias, avalia as peças e, caso haja acordo, empresta o dinheiro pelo qual cobra juros de 3% ao mês. Ao fim de 90 dias, a penhora pode ser vendida caso o cliente não pague para reaver o objecto colocado no prego.
"Há famílias inteiras em decadência e nós somos um pára-raios das dificuldades económicas". O facto de haver cada vez mais pessoas a não recuperarem os artigos também lhe cria problemas. O motor do negócio são os juros pagos pelos clientes e não a venda das peças em leilão de vários lotes. "Para acorrer a todas as solicitações tenho que ter capital para investir", refere, sublinhando que "recorre sempre a fundos próprios. Sou muito equilibrado e por isso não peço aos bancos".
A.S.S.
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Transportes colectivos
Sectores que ganham com a crise
A utilização de transportes colectivos aumentou em 2008, mas as empresas do sector não garantem que esta realidade se transforme numa tendência marcante durante 2009. Por um lado, a redução dos preços dos combustíveis voltou a incentivar a utilização de transporte particular. E, por outro lado, o aumento do desemprego reduziu a capacidade de mobilidade de um segmento da população que sempre se deslocou em transportes públicos.
No Metropolitano de Lisboa - que tende a ser um dos meios de transporte urbano com maior potencial de crescimento - é fácil identificar o aumento de utilização, que coincidiu com os meses em que os preços dos combustíveis atingiram os valores mais elevados de sempre. Apesar de o total anual de passageiros transportados ter aumentado em 2008 (162,75 milhões em 2007 contra 165,82 milhões em 2008), a verdade é que o Metro de Lisboa transportou menos passageiros em Novembro e Dezembro de 2008. Em termos gerais, os transportes da Carris e STCP registaram ligeiros aumentos. Na CP Lisboa notou-se uma queda, com especial incidência na linha de Cascais.
J.F.P.F.

Casas de jogo e casinos
Sectores que ganham com a crise
Tentar a sorte em tempo de crise e conseguir ganhar num ápice uma quantia de dinheiro que ultrapassa o limite dos sonhos, é algo que soa como música aos ouvidos dos portugueses. No caso do Euromilhões, Portugal é o país onde há mais apostas per capita. Segundo informações veiculadas pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia, os portugueses fazem 868 apostas por minuto. Contas feitas, realizam-se semanalmente 8,8 milhões de apostas, e a cada hora as casas de jogo portuguesas registam 52 mil apostas. Em quatro anos, já houve 30 portugueses vencedores do Euromilhões.
Por outro lado, os três casinos da Estoril-Sol (Lisboa, Estoril e Póvoa de Varzim) tiveram em 2008 um crescimento de receitas para €251,3 milhões, mas em Janeiro já tiveram uma redução de 5,5% face ao mês homólogo do ano anterior. "É, no entanto, metade da queda nos demais casinos do país", sublinha Carlos Costa, director-geral do Casino de Lisboa. "Mas nós não sentimos menos pessoas nos casinos", frisa ainda o responsável. "E temos a esperança de conseguir rapidamente inverter este estado de coisas".
C.A.

Supermercados
Sectores que ganham com a crise
Os portugueses aumentaram as idas ao supermercado e estão a comprar mais produtos de marca própria, de acordo com as cadeias de distribuição que responderam às questões do Expresso. "Os clientes procuram produtos mais económicos e os produtos de marca própria são uma boa opção na altura de fazerem compras", refere Américo Ribeiro, director-geral da Auchan. A procura de artigos mais baratos também se verifica n'Os Mosqueteiros, onde as marcas próprias têm registado um aumento substancial "acima da média do mercado", de acordo com a direcção comercial alimentar do grupo.
Pelo contrário, os produtos considerados como não sendo de primeira necessidade ou os que têm substitutos mais económicos estão a ter menos procura. No Minipreço, Pedro Barbosa Viana, director de marketing, diz que é difícil apontar as classes de produtos com maior ou menor procura. "Notamos algum crescimento na venda de produtos mais básicos, como arroz e azeite", diz.
Em termos de frequência, Os Mosqueteiros e o Minipreço garantem que têm mais clientes, diária e semanalmente, nos últimos meses.
C.N.

Casas particulares
Sectores que ganham com a crise
Com a crise, tem estado a subir em flecha o negócio associado a uma alternativa de turismo mais barata aos hotéis: o arrendamento de casas de férias entre particulares na Internet. São cada vez mais os portugueses que optam por passar fins-de-semana ou mesmo férias inteiras em casas alheias - assim como também são cada vez mais os que colocam a sua própria casa para arrendamento temporário quando lá não estão, na mira de arrecadar um dinheiro extra.
O sistema funciona sem intermediários, apenas requer o pagamento de um anúncio na Net. O portal Homelidays.com, líder europeu nesta modalidade, tem tido em Portugal os maiores crescimentos de negócio, que em 2008 duplicou para receitas de €200 mil (relativas à colocação de anúncios) e atingiu 15 milhões de páginas visitadas. Foi o segundo portal turístico mais visitado, segundo a Marktest, e já tem 100 mil portugueses inscritos. O negócio teve picos de crescimento em Dezembro e voltou a subir em Janeiro, alturas em que a hotelaria nacional sofreu quebras acentuadas. O sucesso da Homelidays em Portugal aguçou o interesse dos americanos da Homeaway, que acabaram por comprar este portal.
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